Café: Volatilidade é o Nome do Jogo

Você já imaginou ir ao supermercado e pagar mais caro num pacote de café comum, extraforte do que em um café gourmet arábica? Pois é isto que está acontecendo no mercado.


Há um ano e meio, as cotações do café Robusta, negociado em Londres, começaram um movimento de alta que culminou nas máximas históricas do principal tipo de café negociado pelo Vietnã. É justamente nesse pequeno país asiático que está a resposta que explica o porquê a tonelada de um café de qualidade inferior ao arábica brasileiro está sendo negociada acima de R$ 5.200,00.


Os principais fatores e o atual cenário do mercado de café

O principal fator para esse cenário foi o clima, que causou uma quebra de produção histórica. A recuperação pode levar de duas a três safras, já que a colheita deste ano está comprometida. O país deverá entregar um volume próximo de 24 milhões de sacas.


Além disso, há uma grave situação logística no Mar Vermelho, que fez com que empresas marítimas evitassem o Canal de Suez. Com isso, os navios na rota Ásia-Europa passaram a contornar a África Ocidental, o que elevou os custos de transporte e impactou diretamente o custo de reposição para cafeterias e torrefações europeias.


Estes dois fundamentos mudaram a forma de comercializar café por uma grande parte do mercado. Olhando pela logística, as negociações US$/FOB deram lugar às negociações Diff/CNF e Diff/Ex-Warehouse, com os compradores não dispostos a comprar o risco do transporte marítimo. 


Naturalmente, tais condições encareceram as aquisições e elevaram os differentials para níveis de até 950 pontos acima dos contratos de Londres. Nesse contexto, a máxima "preços altos destroem a demanda" poderia ter entrado em cena, porém, a escassez de oferta é grande demais para que isso ocorresse.


A saída foi buscar o café em outra origem e o Brasil mostrou sua força, com crescimento de três dígitos em todos os meses desta temporada e, mesmo assim, as cotações do contrato futuro continuaram em alta - realmente a escassez é grave, tão grave que a curva de futuros retirou qualquer carry até 2027 e como sabemos, uma curva invertida (backwardation) é o mercado refletindo o desequilíbrio entre a oferta e a demanda de uma commodity.


As atenções estão voltadas para o clima brasileiro, que enfrenta um cenário desfavorável, com o acúmulo de precipitação abaixo da média desde o final de abril. Os cafezais ainda estão em fase de floração e têm resistido relativamente bem às altas temperaturas e à restrição hídrica. No entanto, pode ser prematuro falar em quebra de safra, embora seja essencial que as chuvas cheguem em breve.


As incertezas e o futuro das negociações de café

Com tudo o que foi discutido até agora, pode parecer que os preços vão subir 'até o infinito e além'. No entanto, há alguns dados que podem indicar o contrário:


  1. Os differentials no Vietnã já cederam bastante desde as máximas de seis meses atrás. Poderíamos colocar na conta da colheita, mas esta só começará em 2 meses e já sabemos que será uma safra ruim;

  2. No Brasil, as altas nos derivativos não estão mais sendo refletidos no mercado físico, ou seja, claramente os preços altos estão, agora sim, destruindo a demanda, assim os diferenciais de base estão abrindo e ainda temos um câmbio muito favorável para a exportação o pode ajudar o farmer selling;

  3. A volatilidade está altíssima, mostrando que o mercado não está tão confiante na alta e que há muita incerteza neste momento.

Com tudo isso, o que fazer? A curva de futuros atual pode nos ajudar. 


Numa curva em backwardation, a indicação é venda o físico para entregas curtas e compre derivativos para manter a exposição ao mercado! Agora, isto é a teórica por trás da forward curve, você deve fazer isto? A resposta dependerá de muitos outros fatores.

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